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“Ponto e vírgula” e o suicídio na adolescência

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Dra. Gianna Guiotti

Medica Psiquiatra

CRM DF - 15231

Por Dra. Gianna Guiotti

Nos últimos dias, ”jogos” nas redes sociais e um seriado direcionado ao público juvenil trouxe à tona o delicado e difícil tema “Suicídio”, com grande preocupação dos pais, profissionais de saúde e educadores.

Como a maioria dos problemas psiquiátricos, o suicídio é a consequência de um conjunto de vários fatores, com um transtorno mental de base. Mesmo tendo sido divulgado de forma errônea pelo seriado, assistir a serie ou participar do “jogo” Baleia Azul isoladamente, não levam ao ato de tirar a própria vida.

Devido ao preconceito ou desconhecimento diante dos sintomas, os pais demoram a buscar tratamento com profissional especializado (de preferência um psiquiatra com atuação em infância e adolescência), e tanto a família quanto a escola, onde nossos filhos estão em grande parte do tempo, têm papel fundamental no reconhecimento dos sintomas dos principais transtornos envolvidos.

A depressão é o principal deles, com sintomas característicos nesta idade: alteração importante de comportamento, isolamento social, perda do prazer nas atividades habituais de lazer, irritabilidade, tristeza, alteração de sono e apetite, dentre outros.

A aliança entre a escola, família e profissionais de saúde é a melhor forma de conduzir este problema, levantar as possíveis causas envolvidas e intervir nestas, com mais rapidez na cura e remissão dos sintomas. Transtornos mentais são tratáveis e na imensa maioria dos casos é possível prevenir o suicídio!

A grande repercussão do tema nos faz refletir também que a era digital e a internet têm influenciado nas relações sociais, familiares, no desenvolvimento das crianças e adolescentes, e desencadeado muitos problemas de saúde mental e transtornos mentais. Cyberbullying, separações conjugais, conflitos sociais e no ambiente de trabalho, estão levando ate mesmo a demandas judiciais frequentes.

Ao presentear os filhos com celulares e tablets, devemos compara-los a um carro, tamanho impacto que podem causar em suas vidas. Antes de dirigir, os filhos tem que ter a idade adequada e ter aulas com profissionais especializados. Então por que entregamos celulares e tablets sem qualquer cuidado e orientação sobre as consequências envolvidas?

A internet é um grande bem para a humanidade, uma ferramenta importante, mas precisamos mudar a forma como estamos utilizando-a, criar regras de uso, etiquetas sociais no meio virtual, monitorar os mais jovens. O “jogo” Baleia Azul e a repercussão deste nos mostra isso!

Precisamos preparar os filhos para ter habilidades sócio emocionais diante de conflitos, frustrações e ter relações interpessoais saudáveis, além de senso-critico diante do que tem acesso no mundo virtual.

Hoje é este tema, e, diante da velocidade das informações, daqui alguns dias será outro tão polêmico quanto. Conversar e falar sobre o assunto, com conteúdo adequado à maturidade da criança, perguntar o que eles sabem ou acham disso é uma boa estratégia.

Mas por que o “Ponto e Vírgula”? Em uma das nossas conversas recentes, minha filha me contou que este símbolo tem sido adotado mundialmente em uma campanha de prevenção ao suicídio. Simbolizando que a fase difícil não é um ponto final, e sim uma vírgula para recomeçar.

Vamos cuidar dos nossos filhos, estar presentes, mostrar que o sofrimento nem sempre é evitável, mas que eles não estão sozinhos, afinal eles são as nossas “reticencias”…

Gianna Guiotti Testa
Médica Psiquiatra (responsável técnica da Clínica OPY)
CRM DF- 15231

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